Diário de operação
A conta aberta do case do Grupo Malunga, o que a métrica de mídia espontânea mede de verdade e o que medir no lugar dela.
Neste artigo
Todo número muito grande em marketing merece desconfiança, inclusive os meus. Então vou abrir a conta inteira de um case de PR digital, explicar exatamente o que ela mede, e depois explicar o que ela não mede.
É uma discussão que quase ninguém faz em público, porque o número fica menos impressionante quando você mostra a metodologia. Mas é a única forma de o dado servir para decidir alguma coisa.
Depende de ter pauta, não de ter verba. No case do Grupo Malunga, uma ação de PR digital gerou 166 publicações editoriais em veículos como G1, TV Globo, Correio Braziliense, SBT e Record, com R$ 657.381 em mídia espontânea equivalente sobre um custo de R$ 351 por matéria-base. A relação registrada foi de 1.873 para 1.
O que aconteceu: uma marca regional de orgânicos queria autoridade nacional sem verba de marca nacional. A estratégia foi construir uma pauta jornalística de verdade e distribuí-la para 1.901 jornalistas numa única ação.
Os números registrados:
A aritmética é simples e verificável: 657.381 dividido por 351.
"Mídia espontânea equivalente" é o que o setor chama de equivalência de valor publicitário. Traduzindo: quanto custaria comprar aquele mesmo espaço como anúncio.
E essa métrica é oficialmente rejeitada pela principal entidade internacional de medição da área. A AMEC, associação que reúne os principais players de mensuração em comunicação, mantém uma campanha chamada Say No to AVEs, convidando organizações a "erradicar completamente o uso da equivalência de valor publicitário e todos os seus derivados como métrica em trabalho de relações públicas". A entidade publicou inclusive um documento chamado "22 razões para não usar equivalência publicitária".
Por que rejeitam? Os argumentos centrais são consistentes:
Então por que eu ainda apresento esse número? Porque ele responde a uma pergunta específica e legítima: qual seria o custo de comprar visibilidade equivalente. Não responde a "quanto isso virou receita". São perguntas diferentes, e o erro do mercado é usar a resposta de uma como se fosse da outra.
A leitura honesta do 1.873 para 1 é: a ação custou muito pouco perto do que custaria comprar o mesmo espaço. Ponto. Qualquer afirmação além disso precisa de outra medição.
Se equivalência publicitária responde pouco, o que responde mais?
Aqui está o argumento que mudou nos últimos dois anos, e ele não tem nada a ver com reputação.
O Pew Research Center analisou 68.879 buscas no Google feitas por 900 adultos americanos em março de 2025 e mapeou de onde vinham as fontes citadas nos resumos gerados por IA. Veículos de notícia responderam por 5% das fontes, o mesmo peso que tinham nos resultados tradicionais. Sites .gov apareceram em 6% das fontes dos resumos, contra 2% nos resultados tradicionais.
Ou seja: o que a imprensa publica sobre você alimenta o que a máquina responde sobre você. Uma citação em veículo com autoridade não é mais só reputação, é insumo para o sistema que hoje intermedeia parte das decisões de compra.
Escrevi sobre essa camada em seu cliente já pergunta pro ChatGPT antes do Google. PR digital passou a ser, entre outras coisas, uma estratégia de presença em resposta gerada.
A Cision ouviu mais de 3 mil jornalistas em 19 mercados para o relatório State of the Media de 2025. Três achados úteis:
E um dado que muda o cuidado editorial: mais da metade dos jornalistas já usa ferramentas de IA generativa, e 72% se preocupam com erros factuais em conteúdo de comunicação gerado por IA.
A conclusão prática é direta. O que separa uma ação que gera 166 publicações de uma que gera zero não é volume de disparo. É pertinência e precisão. Material com dado verificável e fonte identificável tem chance. Release genérico com adjetivo não tem.
Confundir equivalência publicitária com receita. É o erro que a AMEC combate há anos, e o que mais destrói credibilidade quando alguém do financeiro pede o detalhe.
Contar replicação como conquista. Um mesmo release replicado em cinquenta portais agregadores não é cinquenta conquistas.
Disparar para todo mundo. Além de baixa taxa de aproveitamento, queima o remetente para as próximas ações.
Pauta sem dado. Sem informação nova, não existe motivo editorial para publicar.
Não preparar o destino. A matéria sai, a pessoa procura a marca e encontra um site que não explica o que a empresa faz. A visibilidade evapora ali.
É a estimativa de quanto custaria comprar, como anúncio, o mesmo espaço obtido editorialmente. Responde à pergunta de custo comparativo de visibilidade, e não à de retorno financeiro. A AMEC recomenda não usá-la como métrica de resultado.
Não é falso, é limitado. A conta é verificável: R$ 657.381 de mídia equivalente sobre R$ 351 de custo por matéria-base. O que ela mostra é a diferença entre conquistar e comprar visibilidade, não quanto entrou em caixa.
Variação de busca pelo nome da marca, tráfego direto e orgânico de marca, qualidade dos veículos alcançados, presença da mensagem no texto publicado e, quando há link, o efeito prolongado em busca.
Não necessariamente. O que define o resultado é ter dado próprio e material bem construído. Estrutura ajuda na escala e no relacionamento, mas não substitui a existência de uma pauta.
Menos do que parece, e com mais critério. Como 86% rejeitam o que não é da editoria deles, uma lista curta e certeira tende a render mais que uma lista longa e genérica.
Ajuda quando há link e quando o veículo tem autoridade. E passou a ajudar também na camada de resposta gerada por IA, já que veículos de notícia aparecem entre as fontes citadas nos resumos, segundo a análise do Pew.
O case citado é exatamente esse cenário: marca regional buscando alcance nacional sem verba de marca nacional. O que viabiliza não é o tamanho da empresa, é a existência de uma informação que interessa a um público maior que a base de clientes.
Liste três informações que a sua operação tem e que ninguém mais tem. Pode ser um número, uma série, um padrão que você observa. Se alguma delas interessaria ao leitor de um veículo do seu setor, você tem uma pauta.
Visibilidade traz gente. O que transforma em receita continua sendo o site que recebe, a oferta que ela encontra e quem responde quando ela levanta a mão. É esse conjunto que eu chamo de Growth Completo.
Se quiser que eu olhe onde a sua operação está deixando visibilidade escapar, peça um Raio-X de Growth. É gratuito e devolvo em vídeo.

Eu leio a sua operação inteira, aponto os vazamentos e digo o que corrigir primeiro. Você decide se quer fazer sozinho ou comigo.
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